A fibromialgia é uma condição de saúde que afeta milhares de brasileiros e, ainda assim, segue sendo cercada de dúvidas, preconceitos e desinformação — inclusive no âmbito jurídico. Muitas pessoas convivem diariamente com dores intensas, fadiga extrema e limitações funcionais, sem saber que possuem direitos garantidos por lei.
Neste artigo, você vai entender o que é a fibromialgia, como ela é reconhecida legalmente e quais direitos podem ser assegurados a quem convive com a doença.

O que é fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor crônica generalizada, sensibilidade muscular, cansaço constante, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas (conhecidas como “névoa mental”).
Apesar de não aparecer em exames laboratoriais tradicionais, a fibromialgia é reconhecida pela medicina e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), estando classificada no CID-10 sob o código M79.7.
⚠️ Importante destacar: a ausência de exames objetivos não invalida a doença, nem impede o reconhecimento de direitos.
A fibromialgia é considerada deficiência?
Essa é uma das maiores dúvidas — e também uma das maiores batalhas jurídicas.
A fibromialgia não é automaticamente considerada uma deficiência, mas pode ser equiparada, dependendo do grau de limitação que causa na vida da pessoa.
A legislação brasileira adota o conceito de deficiência funcional, ou seja, avalia se a condição:
- Limita a capacidade de trabalho
- Compromete atividades do dia a dia
- Impede participação plena na sociedade
👉 Quando comprovadas essas limitações, a pessoa com fibromialgia pode sim acessar direitos normalmente destinados às pessoas com deficiência.
Quais são os principais direitos de quem tem fibromialgia?
1. Benefícios do INSS
Dependendo da situação, a pessoa com fibromialgia pode ter direito a:
- Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença)
- Aposentadoria por incapacidade permanente
- Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), quando comprovada a deficiência e a baixa renda familiar
📌 Tudo depende de laudos médicos bem fundamentados, histórico clínico e, muitas vezes, de discussão judicial.
2. Direitos trabalhistas
No ambiente de trabalho, a pessoa com fibromialgia pode ter direito a:
- Redução de jornada (em casos específicos)
- Adaptação do ambiente de trabalho
- Estabilidade provisória, quando afastada pelo INSS
- Reconhecimento de incapacidade laboral parcial ou total
Se houver demissão discriminatória, é possível discutir reintegração ou indenização.
3. Isenção de impostos
Em determinadas situações, a fibromialgia pode gerar:
- Isenção de Imposto de Renda, se associada a doenças graves reconhecidas ou incapacidade permanente
- Isenção de IPI, ICMS e IPVA, especialmente quando houver enquadramento como pessoa com deficiência e necessidade de veículo adaptado ou de uso contínuo
Cada caso deve ser analisado individualmente.
4. Prioridade em atendimentos e políticas públicas
Pessoas com fibromialgia podem ter acesso a:
- Atendimento prioritário em serviços públicos e privados
- Medicamentos pelo SUS
- Tratamentos multidisciplinares (reumatologia, fisioterapia, psicologia, dor crônica)
A importância do laudo médico
O laudo médico é a peça-chave para o reconhecimento dos direitos de quem convive com fibromialgia.
Ele deve conter:
- Diagnóstico claro (CID M79.7)
- Histórico da doença
- Limitações funcionais
- Impactos na vida pessoal e profissional
💡 Laudos genéricos costumam gerar negativas — e muitas delas só são revertidas na Justiça.
Por que muitos pedidos são negados?
Infelizmente, a fibromialgia ainda enfrenta resistência administrativa, principalmente por:
- Ser uma doença “invisível”
- Não aparecer em exames tradicionais
- Falta de conhecimento técnico de peritos
Por isso, é comum que direitos só sejam reconhecidos após ação judicial, com produção de prova pericial adequada.
Quando procurar um advogado?
Se você:
- Teve benefício negado pelo INSS
- Está enfrentando problemas no trabalho
- Precisa de reconhecimento como pessoa com deficiência
- Busca isenção de impostos ou indenização
👉 A orientação jurídica especializada faz toda a diferença.
Cada caso de fibromialgia é único e deve ser analisado com sensibilidade, técnica e conhecimento jurídico.
Conclusão
Conviver com fibromialgia não é apenas lidar com dor física — é enfrentar desafios sociais, profissionais e legais. Conhecer seus direitos é o primeiro passo para garantir dignidade, proteção e qualidade de vida.
Se você ou alguém próximo vive com essa condição, saiba: a lei pode — e deve — estar ao seu lado.
Ficou com alguma dúvida?
Artigo elaborado por Thiago Zart.
Esse artigo possui caráter meramente informativo.
Contato (51) 99702-8885